Isabelle Reis

Escritora

Jornalista

Eu amo Literatura Nacional

terça-feira, 8 de maio de 2018

RESENHA: (IN)VERDADES


Vamos à primeira resenha do site! (aplausos)
Como 3% estreou  a segunda temporada na Netflix e fala de uma distopia vivida aqui, no nosso Brasil brasileiro, resolvi trazer um livro de uma autora independente que carrega o nosso futuro para o totalitarismo e o opressivo controle da sociedade. Eu confesso que achei a ideia interessantíssima. Porém, antes de dar o meu veredito, vou colocar as informações básicas do livro pra você se instigar com a história.

Sinopse:


Em 2198 um revés mudou a realidade mundial de forma esperada, inesperada e assustadora. E com o Brasil não foi diferente, tempos escuros dançaram sobre o território até que a consciência humana finalmente compreendesse que precisava evoluir e respeitar, por assim dizer, mas quando foi que isso significou a inexistência de problemas? Há algo sob a sombra do berço esplêndido e tudo está relacionado.
Ena nasceu neste mundo consciente e finito. Sua mãe Naira ajudou a fundar o CCDP e seu pai, o Alto Oficial Amir Dias era um Resgatante.
O atentado de 2396 ao CIA mudou tudo, seu pai morreu como herói e caso foi arquivado nas sombras do tempo. O passar dos dias nada trouxe além de culpas indiretas sobre um grupo que só veio a crescer no decorrer dos anos em oposição ao controle biométrico e outras coisas.
Agora Ena é uma mulher forte e focada, mas aquele dia a persegue, a impunidade vez ou outra ressoa nos temporais sem aviso que visitam os distritos.
O mais importante a saber é que em sua mente foi encerrado o destino de todo um país e para alcançar a verdade que ainda ignora existir, Ena precisa alcançar o seu objetivo... se tornar uma oficial das Forças Distritais do Brasil.
A busca por essa lembrança mudará tudo, para além do seu controle e de si mesma, mas para entender, ela deve retroceder aquele dia, o atentado, e compreender a profundidade do provérbio africano Sankofa que se manterá onipresente até o fim, pois... Nunca é tarde para voltar e apanhar o que ficou para atrás.

Ano: 2016
Páginas: 318
Autora: Lu Ain-Zaila
Vol. 1



Minhas considerações:



A ideia é genial. Quem gosta de Eduardo Spohr, André Vianco e histórias que se passam na nossa terra, este é o seu lugar. A autora tem uma escrita muito parecida com a do Tolkien, pois se preocupa bastante com a descrição dos lugares, as referências e o background que isso traz. A Ena é uma mulher muito forte e perspicaz. O sonho, vinculado à saudade do pai, acaba fazendo parte da vida dela e basicamente traçando o futuro que a aguarda. Confesso que nas cem primeiras páginas eu fiquei um pouco cansada. A  razão seria pela intenção da autora de ambientar o leitor no Brasil de mais de cem anos no futuro. Este desenvolvimento podia ter sido feito de forma mais leve e divertido.
O tema que envolve a cultura brasileira e africana, foi bastante citado com as enormes quantidades de referências que a história possui. Muito bonito o trabalho de pesquisa que a Lu teve para escrevê-lo. Entretanto, acho que faltou um pouco de humanização dos personagens. Por mais que Ena seja uma jovem oficial, ela deve ter seus anseios, seus desejos que não seja só trabalho. Quando ela foi para casa, bem no início do livro, para tirar alguns dias de folga, achei que ali a autora fosse desenvolver esse lado dela, para que houvesse uma comparação em campo de batalha, de ambas as personalidades da menina. Podemos ver, por exemplo, o filme Sniper Americano, que conta a dura realidade dos soldados em guerra, mas também mostra de forma leve a parte da vida pessoal dele.
Particularmente eu não gosto de escritas em primeira pessoa e ainda por cima no presente, porque me lembra bastante a estrutura de roteiros, que livros normalmente não devem seguir. Porém, este já é o segundo livro que eu leio nesta estrutura que não me incomodou nem um pouco, acho que estou tirando este preconceito da minha cabeça e agradeço a escritora por isso.
Mas uma coisa não posso negar, o amor entre mãe e filha foi muito bem desenvolvido neste livro. Eu e minha mãe, que também vivemos sozinhas, temos o mesmo tipo de trato e carinho que Ana e Ena e isso é gostoso de ver, principalmente nas partes dramáticas da história e isso foi muito importante para eu me apegar à personagem.
Os aspectos que devem ser exaltados deste livro, são os pensamentos feministas, distópicos e de senso de justiça que este primeiro livro da Duologia Brasil traz. Todas as histórias têm problemas, mas algumas são leituras obrigatórias e outras não. O peso do tema abordado e da maneira como ele foi abordado, faz com que este livro independente seja chamado de literatura de resistência. Vale a pena ler e tirar suas próprias conclusões e conhecer os amigos e a família de Ena.
 

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Esta é uma autora que sonha em ser romancista policial, mas já escreveu aventuras, crônicas, livro adolescente e, ah, meu Deus! Deixa para lá, só ser escritora já está bom!

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