Coronavírus: Quilombos no Pará montam barreiras para impedir entrada nas comunidades


Líderes das comunidades têm receio de não conseguirem atendimento médico adequado para a população 

Reprodução Facebook

A
s Comunidades Quilombolas de Umarizal (Baião-PA), Pitimandeua (Inhangapi-PA) e São Manoel (Moju-PA) montaram barreiras, durante esta semana, para impedir a entrada de outras pessoas em seus territórios como medida preventiva no combate ao novo coronavírus.


Outras comunidades também aderiram ao movimento de isolamento total durante o período da quarentena. Tipitinga, em Santa Luzia do Pará, comunidades de Abacatal e o quilombo Camiranga foram alguns dos grupos que também fecharam as porteiras em nome da saúde.

O Ministério da Saúde e a OMS ressaltam a necessidade de evitar aglomerações para diminuir a propagação da doença. Centenas de comunidades quilombolas vivem em regiões distantes das grandes cidades e, para não sobrecarregarem ainda mais os hospitais, decidiram tomar todos os cuidados possíveis para não contraírem o vírus. O Brasil já passou, neste fim de semana, dos 10 mil infectados pelo COVID-19.

Em São Manoel, comunidade de Moju, os portões foram fechados desde o dia em que foi confirmado o primeiro caso no Pará. E a preocupação é pertinente, já que o atendimento médico mais próximo dos quilombolas fica a 42 km. De acordo com Francisco Martins, líder do quilombo, a ação é necessária. "Tomamos essa atitude pra proteger nosso povo", disse em sua rede social.


Moradores Tipitinga, em Santa Luzia do Pará, impedindo a entrada de desconhecidos / Reprodução Facebook


Reassentamento de 800 quilombolas em Alcântara, no Maranhão, foi aprovado na quarentena


Um decreto do Diário Oficial, publicado na sexta-feira (27), deixa claro que o governo de Jair Bolsonaro pretende remover 800 famílias de 30 comunidades dos descendentes de escravos que vivem em uma área que será reassentada em Alcântara, no Maranhão. Os quilombolas estão sendo retirados de suas residências ainda durante a quarentena.

De acordo com o decreto, a medida seria tomada para dar início às obras da base de lançamento de foguetes e satélites para os Estados Unidos. No entanto, até então o governo federal refutava a possibilidade de remoção das famílias, mas se contradisse na resolução assinada pelo general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional.

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